Por que eu fotografo em preto e branco. – Por Adriano Abbud.

De início esta não é uma resposta fácil ou concisa, principalmente porque, comercialmente, a grande maioria das demandas que chegam dos clientes para mim é de imagens coloridas, sejam elas para uso em publicidade, para ensaios fotográficos ou na gastronomia, áreas em que atuo no mercado.

Numa visão simplista, a minha opinião é que, “removendo” a cor, nosso foco é atraído pela luz, pela sombra, pelos contrastes, pelas formas, pela estrutura e pela composição. A essência do sujeito (seja o sujeito “gente” ou “coisa”) e das ações fica mais visível.

Além disso, intrinsecamente, “sinto” mais uma imagem monocromática do que uma colorida.

Observo que há alguns críticos, clientes e até fotógrafos que acreditam serem as imagens em preto e branco apenas imagens que “deram errado” coloridas e, ao serem convertidas para a escala de cinza, tornaram-se mais interessantes.

Devo até concordar que muitos fotógrafos usam a técnica com esse intuito, mas na minha opinião não existe alternativa para transformar uma coisa errada em outra certa, muito menos com relação às cores.

Na verdade acredito exatamente no contrário: que uma imagem monocromática boa precisa de boas cores originais, além de boa composição, num sentido amplo da palavra, e é por isso que no momento da execução da fotografia normalmente já tenho definida minha opção por cor ou preto e branco.

Já ouvi também que o problema das fotos finais em preto e branco é que todas precisam passar por pós-processamento. É até certo ponto verdade, mas… e daí?

Foi-se o tempo em que se acreditava que uma foto deveria vir diretamente da câmara, sem edição, como direto do filme (isso nunca foi verdade, porque sempre fizemos, seja na revelação das películas, com alterações no tempo e dos químicos, seja na ampliação das imagens, também com o uso do tempo, dos filtros de contraste ou de máscaras para escurecer ou clarear áreas específicas na ampliação).

Considero um erro pensar que o pós-processamento é um mal da era digital.

O grande Ansel Adams, se estudarmos mais a fundo seu trabalho, era um mestre nisso.

A utilização de softwares de edição de imagem, na minha opinião, é fundamental para transmitir o que se pretende com cada fotografia. Aliás, confesso que penso no fluxo e nas técnicas que vou utilizar no Lightroom ou no Photoshop antes mesmo de fazer a foto, ou seja, elas já são parte das minhas opções iniciais, assim como a câmara e a lente.

Em resumo, para mim o “pós” é uma parte importante do processo criativo.

Finalmente, o que acho mais importante para a minha fotografia é o que não dá para explicar em um texto. É a minha visão. É a minha expressão.

É a minha paixão.

Levando-se isso em consideração, acho que uma boa resposta é que eu vejo em pb, me expresso em pb e sou apaixonado pelo pb.

Texto de autoria de Adriano Abbud

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