Por Ana Caroline de Lima.

ENSAIO FOTOGRÁFICO: Black H’mong: o povo da montanha – Ana Caroline de Lima.

Situados nos alpes vietnamitas e cercados por imensos campos de arroz, os vilarejos Black H’mong guardam tradições centenárias que aos poucos vêm sendo substituídas por costumes do ocidente.

Conhecidos como um dos povos da montanha do Vietnam, os Black H’mong são uma minoria étnica asiática que migrou da China para o norte vietnamita há mais de 300 anos.

Com o advento do turismo, que tem crescido no Vietnam nos últimos anos, os Black H’mong tem visto nos viajantes uma forma de ganhar dinheiro.

Para isso, eles usam o artesanato tradicional, em forma de bijuterias, roupas e souvenirs que são vendidos em várias lojas de Sapa, a cidade mais próxima dos vilarejos das montanhas.

Além disso, os Black H’mong perceberam uma tendência que atrai turistas de várias partes do mundo para a região:

  • os trekkings pelas lindas montanhas que circundam Sapa.

As caminhadas descem e sobem montanhas e passam por verdejantes campos de arroz e mostram as paisagens típicas do norte vietnamita.
Esses passeios, vistos como exóticos pelos visitantes, são feitos todos os dias pelos Black H’mong que enfrentam caminhadas de até cinco horas pelas montanhas para chegar até Sapa.

Com isso, esse povo passou a convidar turistas para trekkings até as vilas, com direito a pernoite nas casas H’mong tradicionais.

O vilarejo Ta Phin está há quatro horas de caminhada de Sapa e abriga cerca de 300 famílias H’Mong. Considerada uma das maiores vilas Black H’mong da região, o lugar é equipado com escolas, igreja e pequenos mercados.

 

Por conta da venda de artesanato, as mulheres estão se tornando as provedoras entre muitas famílias Black H’mong. Joias feitas de prata e souvenirs bordados com estampas Hmong fazem sucesso entre os turistas e são uma forma de promover a cultura e tradição da etnia.

 

A vestimenta tradicional é usada diariamente, por homens, mulheres e crianças. Os bordados têm diferentes significados e distinguem idade e estado civil. As vestes são feitas de linho e têm uma coloração índigo, quase preta, como indica o nome da etnia.

 

As casas Black H’Mong costumam ter plantações de arroz em seus jardins. Entre os mais bem-sucedidos, os campos de arroz estão espalhados pelas montanhas.

 

Mulher Black H’mong espera as crianças voltarem da escola.

 

Embora o vilarejo tenha uma escola, o segundo grau é feito em Sapa, a horas de caminhada.

 

Tal como os vietnamitas, os Black H’mong também celebram o Tet, como é chamado o Ano Novo Chinês em celebrações que reúnem pessoas dos vilarejos mais próximos.

 

Além da caminhada, o principal meio de transporte dos Black H’mong são as motocicletas, que comportam até três pessoas em viagens pelas montanhas. Em comemorações, estacionamentos improvisados comportam as motos dos Black H’mong.

 

As celebrações são familiares e religiosas. Embora a maioria ainda siga as crenças tradicionais, com base no animismo, o cristianismo é instalado aos poucos, em cultos realizados em igrejas temporárias, feitas de bambu.

 

Já as comemorações H’Mong originais são visitadas por quase todos os moradores do vilarejo.

 

Os adultos contam que, quando eram crianças, não tinham acesso a chocolate e refrigerantes, que agora são os alimentos preferidos da infância atual.

 

Mulher Black H’Mong com brincos feitos de prata e forjados nas aldeias.

 

Os homens Black H’mong trabalham nos campos de arroz e ajudam nas tarefas de casa.

 

E buscam os filhos na escola enquanto as mulheres estão a horas de caminhada de distância. Outros subgrupos H’mong como os Flower, Green e White H’Mong podem ser encontrados em número reduzido nas regiões do norte do Vietnã.

 

Ana Caroline de Lima

Sobre a autora:

Nascida em São Paulo, Ana Caroline de Lima é jornalista e fotógrafa documental pós graduada em antropologia visual cujo trabalho é focado na documentação de culturas, vilarejos e minorias étnicas, especialmente na América do Sul e Sudeste Asiático.
Entre as culturas documentadas, estão os Rajasthani na Índia, os Quechua no Equador e Peru, Black H’Mong no Vietnã,  Intha e Chin no Myanmar, além de comunidades indígenas, ciganas, campesinas e ribeirinhas no Brasil.
Seu trabalho já foi premiado nacionalmente e internacionalmente e exposto em mais de 20 países, em lugares como Soho Museum, Palácio de Maldonado e Getty Gallery.
Ana é fotógrafa da Getty Images para a América Latina, membro do Photographic Museum of Humanity e do projeto Everyday Brasil e entre seus clientes estão a ONU, a Care International, além de ONGs, agências de turismo e veículos de mídia.

Para saber mais: www.antropologiavisual.com.br 

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